Viagem para a Índia

 

Viagem para a Índia

 

 

 

 Meu Tempo na Índia

Nos últimos dias o lugar de mais paz na minha vida tem sido a biblioteca da Universidade, aqui estou mais uma tarde, correndo atrás do... É que no meu tempo ocidental tenho tarefas mil do semestre letivo para cumprir. Estou cursando Mestrado em Hospitalidade e falta muito pouco tempo pra minha qualificação, apenas uma gestação. A pressão, a correria, os prazos, tomam proporções gigantescas quando dou de cara com minhas obrigações reais nesta aba oeste do planeta. Em outros lugares do mundo a sensação de tempo é tão diferente, coisas vividas em um só dia, tomam a proporção de um ano, o valor que se dá para a sexta-feira é diferente ou o mesmo que para uma “segundona braba”...

A pouco mais de uma semana minha realidade era outra. Estava em viagem pela Índia, com minha irmã e meu pai. No dia 17 de maio de 2010, mais precisamente uma segunda-feira cheguei em New Delhi. Relendo meu diário aqui em São Paulo fiquei chocado com algumas palavras, mas a Índia é isso, senão um choque para o primeiro visitante. Não censurei nada que escrevi. Destarte passo abaixo a relatar minhas impressões da terra de Gandhi, da Vaca Nelore e do Namastê:

Índia – My 1st impressions:

TERRA DOS CHEIROS

Aterriso em Nova Delhi, chegamos no aeroporto, parece tudo tão normal, tão ocidental, lugar grande, moderno, bonito... tem aí uma musiquinha indiana, que não para. É até interessante pegar as malas na esteira de desembarque ouvindo mantras indianos, fiquei me sentindo um Beattle contemporâneo chegando na Índia. Saímos do aeroporto, nada de aglomeração, algumas pessoas com turbantes esquisitos na cabeça que depois fiquei sabendo tratar-se dos povos siques. Minha irmã nos aguardava. Feliz. Ao procurar o carro aromas nunca sentidos, presentes, permanentes. E logo substituídos pelo cheiro forte de urina, merda ou de coisa morta, podre, putrefada... não sei identificar muitos desses aromas virgens, que pela primeira vez passam pela minha boca e narina. Sempre o cheiro, estamos seguindo para Rishikeshi, uma viagem de 200 e poucos quilômetros que durou mais de seis horas, o cheiro sempre com um misto de poeira.

Meu pai diz:

                 -  Não estou entendo nada... Se o mundo não acabou aqui na Índia, ele não vai acabar!

 

New Delhi

Delhi é a cidade mais fedorenta, desagradável e curiosa que já conheci. Nada é constante. O caos é a ordem. Pegue todas as regras de trânsito, conduta humana e de ordenamento cultural que você conhece e jogue tudo no lixo: Você está em Delhi. Não é que exista a malandragem em relação as leis, presente na conduta brasileira (“o tal jeitinho”). É que aqui a regra é a não regra. É muito difícil para um ocidental recém chegado a Índia entender, compreender e aceitar o ordenamento do caos que se vê aqui, e o que se cheira também. Um verdadeiro inferno.

A Índia não é para qualquer um. Ou melhor, nem qualquer um pode visitar a Índia. O primeiro sentido é o de que nunca alguém do ocidente vai estar preparado para enfrentar o conhecimento da cultura indiana. Tapetes, pós, rios, saris, demora, troca de tempo, religião, homens santos (naga babas), cerimônias, homens cinzas (sadhus), fedores e aromas fortes de incenso, ervas, especiarias, massalas, curries... Tudo abala, desconcerta e desconecta... A música importuna, depois vira mantra.

É tudo lotado. As ruas são cheias de gente, carros e buzinas por todos os lados. O sinal...

   “Please Horn! Louder at Night!!!” (Por favor buzine, mais forte à noite!!!)

… está presente atrás dos caminhões e dos mini taxis para duas pessoas (auto-riquixa), tratores, motos, vacas, búfalos, carroças, macacos, cachorros nada amistosos, e gente, milhões e milhões de pessoas...

Por aqui já estávamos próximos da cidade onde ocorria a maior festa religiosa do mundo (em termos de aglomeração) a Kumbh Mela, em Haridwar no Norte do país. Além dos homens santos com roupas cor açafrão zanzando em filas quilométricas pra lá e pra cá, víamos mulheres com suas roupas coloridas (saris) e homens magros de cabelos negros, bem aparados e geralmente bem apessoados com uma elegância do dia-a-dia.

 

 

 

 

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