Receita - FOCACCIA PICANTE


Neste 2015 estamos pesquisando o universo das pimentas. Uma das idéias é fazer e postar receitas legais com este ingrediente que nos envolve com sabor e prazer.

 

Receita 1 - #AlegriaDoGosto

 

Focaccia Picante c/ Trufas

 

Ingredientes:

 

500 g de Farinha de Trigo

200 g de Farinha de Trigo Integral

20 g de Fermento Biológico Seco

60 g de Açúcar cristal claro

15 g de sal marinho

100 ml de Azeite de Oliva

400 ml de Leite Desnatado

 

Cobertura Picante:

 

15 g de Zatar 

1 Cebola grande picada

1 pimenta jalapeño fresca (ou dedo-de-moça) picada

1 calabresa picada

100 ml de molho de tomate

Trufas negras fatiadas, frescas ou em conserva a gosto

azeite de oliva a gosto

sal grosso ou flor de sal a gosto

 

Modo de preparo:

 

1 - Num bowl grande junte os ingredientes secos (farinhas, fermento, sal e açúcar);

2 - Misture bem os ingredientes e acrescente o azeite de oliva e parte do leite;

3 - Numa bancada de pedra, coloque farinha de trigo (singer) e comece a sovar a massa;

4 - Sove por alguns minutos acrescentando o restante do leite, até que a massa comece a desgrudar das mãos. Neste ponto a massa esta pronta para descansar.

5 - Deixe a massa descansar no próprio bowl untado com azeite e coberto com filme plástico ou pano. Procure deixar a massa em ambiente fechado e quente, sem circulação de ar, para que ele dobre de tamanho (estufa). Neste momento prepare a cobertura picante:

(misture o zatar, a cebola, a pimenta e a calabresa, para ser distribuida posteriormente sobre a massa)

6 - Em cerca de 50 minutos a massa já estará com o dobro do tamanho. Agora disponha-a delicadamente numa assadeira untada com azeite de oliva, sem apertar muito para não perder o aerado da massa.

7 - Acomode a massa na assadeira, formando pequenos buracos com a ponta dos dedos.

8 - Passe molho de tomate e agregue a cobertura picante, cobrindo toda a superfície da focaccia. Finalize com sal grosso e azeite de oliva a gosto.

9 - Asse de 35 a 45 minutos, em forno pré-aquecido a 200º C.

 

10 - A trufa pode ser acrescida depois de pronta a focaccia, para não perder seu aroma e sabor.

Participação no Community Day nos EUA!

Evento especial em Whashington - D.C.

 

No último mês estive nos Estados Unidos da América e participei do evento: Community Day, realizado por 9 universidades do estado de Maryland, estado que fica na região da capital federal americana, o District of Columbia. Foi uma experiência fantástica, pois tive a chance de dar aulas aos alunos da escola de Hospitalidade de Shady Groove Universities, e fiz um intercâmbio aprendendo com o Chef e amigo Franz Corralez, um pouco mais dos conceitos de sustentabilidade que ele aplica no restaurante em que trabalha na Universidade. 

Para ver as fotos e saber mais sobre o evento, acesse o link abaixo:

 

http://www.flickr.com//photos/uatshadygrove/sets/72157631622654459/show/

MISTURA 2012

No segundo semestre deste ano, muitos eventos importantes de Gastronomia dão asas a imaginação dos cozinheiros mundo afora, e só dá vontade na gente de viajar... viajar... viajar... Dentre eles indico alguns que acompanho sempre, tanto in loco quanto em notícias! O Terramadre na Itália, que ocorre em Outubro. O food & Wine de Punta del Este, que será no final de novembro, e tem também o Congresso Mesa Tendências, que sempre trás temas contemporâneos mesclando isso a cozinha brasileira. 

Agora o evento mais esperado desse ano, é o MISTURA, em Lima no Peru. Para saber mais sobre esta grande festa da cozinha peruana, assista o video que fiz o ano passado, e delicie seus olhos com o colorido dos ingredientes e sabores encontrados no país andino que mais promove sua culinária:

http://www.youtube.com/watch?v=udrXtBbc-3U&list=HL1338183073&feature=mh_lolz

35 Mostra de Cinema de São Paulo

 

São Paulo, 21 de Outubro de 2011.

 

Carta ao Sr. Leon Cakoff,

Caro Fundador da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo,

Esta é a segunda vez que lhe escrevo.  A primeira carta lhe foi entregue pouco depois que assisti entusiasmado mais de 30 filmes durante a 26ª Mostra, em Outubro de 2002. Era então, jovem estudante da Faculdade de Direito, e, insatisfeito, via no Cinema uma atraente possibilidade de trabalho.

Naquela oportunidade lhe pedia um emprego. Queria abandonar meu estágio para seguir carreira na Mostra... Como num sonho de garoto romântico que foge de casa junto com o circo que passara por sua cidadela, ou qualquer roteiro equivalente.

Minha vontade foi atendida no ano seguinte.  Na Mostra de 2003, fiz parte, pela primeira vez, de sua empolgante equipe. Foi quando conheci você e a Renata, a Laura, o Fabinho, a Fabiana, Júlio, Lu, as meninas do escritório central, ali na Rua Antônio Carlos. Os rapazes que distribuíam os filmes. Trabalhei de monitor no CineSesc, cinema que elegi meu favorito na cidade. Foi lá que conheci a Simone, o Zakir, a Paola e toda aquela equipe fantástica. Depois veio a coordenação de monitoria no Espaço Unibanco. Será que posso ter dois cinemas favoritos?! E lá estavam o Sr. Adhemar, o Alê, a Élida, Cassinha, o pipoqueiro... Pré-estréias com: Abbas, Wenders, Manoel de Oliveira, Alexandre Stockler, Brant, Salles e tantos outros novos conhecidos, a Luana, as irmãs Bia e Thaty. Depois veio Arteplex 1, 2, 3...

Foram anos consecutivos de trabalho. Inúmeros outubros de orgulho por fazer parte da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.  Consolidei minha paixão pelo Cinema, fiz amizades duradouras, aprendi sobre os valores do trabalho em equipe.

Assisti películas que fazem parte da minha formação. Filmes nacionais e internacionais e se for lista-los este texto ficará imenso... Mas todas as lembranças são de: fatos, cheiros, roteiros, sentimentos, anseios, filas, votações, diretores, expectativas, tudo guardado na minha caixinha de memória como num longa metragem em flashback.

Após minha “estréia” no universo da Mostra, possibilidades tomaram forma. Junto com a maturidade me apareceram escolhas profissionais. Eis que optei, movido por uma série de fatores, trabalhar com outra das minhas paixões: a Gastronomia. No primeiro restaurante, servindo como garçom, foi fundamental levar em conta o aprendizado de tratar clientes delicados e exigentes, como aqueles que estava acostumado a recepcionar na Mostra de Cinema. Logo consegui trabalho na cozinha. A partir daí, ano após ano o tempo pareceu passar mais depressa, e o empenho na minha nova carreira se torna real. Mas sem dúvida, Caro Leon, todo outubro que passa, a Mostra é por mim lembrada.  Passo para assistir, pelo menos, uma dúzia de filmes inesquecíveis, que aproveito como se fosse a última mordida de um delicioso bolo de chocolate.

Agora pouco, acabo de voltar do evento de abertura da 35ª edição da Mostra de Cinema de São Paulo, anunciando mais de 250 filmes nacionais e internacionais, muitos deles inéditos e que irão “contemplar” a cidade durante esta segunda metade de Outubro. Todos os dias estarão lá sob a coordenação da Renata: César, Gustavo, Fabi e tantos outros funcionários, monitores e colaboradores desta atenciosa equipe.

Se a Mostra é você, Sr. Leon?! Quero prestar-lhe esta singela homenagem. Registro aqui, mesmo que de forma póstuma, o anseio de querer continuar sentindo em Sampa esta paixão que lhe correu nas veias ao longo destas 35 primaveras de Mostras. Tenho por certo que o seu legado e sua conduta verdadeira de lidar com o Cinema serão perpetuados por sua fiel equipe. E que, tanto eu, quanto muitos cinéfilos da cidade irão presenciar muitos outubros de Mostras de Cinema em São Paulo.

Oxalá, seu carinho, dedicação e rigidez de dono astuto, estará sempre presente neste evento. Vida longa a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo!

Por Paulo Machado

* Proprietário do Instituto de Pesquisas em Alimentação Paulo Machado. Dá aulas de Gastronomia. Costuma viajar em busca de novos sabores e assina o blog: chefpaulo.zip.net.

 

 

 

dia mundial da alimentação - 16/10/2011

 


 

Banquete da Neka 


Às vezes é preciso um par de semanas para entender grandes acontecimentos. Foi assim que ontem, ao contar para uma amiga, assimilei a experiência de um jantar inusitado que fui sábado retrasado a convite da banqueteira Neka Mena Barreto. Eu a vi na sexta-feira, ela olhou pra mim surpresa, e perguntou: - O que você vai fazer amanhã à noite? Vem aqui pra um jantar? É um grupo de artistas...

Topei! No outro dia, quando estava dirigindo para o endereço do jantar me senti numa versão tupiniquim do “De Olhos Bem Fechados”. Mais pela situação de curiosidade, afinal estava guiando longe na Rebouças, nada que ver com aquelas cercanias tortuosas que o olhar de Kubrick retratou naquela que seria sua última e “semi-inacabada” obra. Mas meus olhos eram de encanto assim como os de Bill, personagem de Tom Cruise... Cheguei ao local. De pronto recebo a saudação da minha amiga guisandera Lourdes Hernández. Pra minha surpresa, além dela e da anfitriã, não conhecia mais nenhum dos cerca de 50 convidados.

Eram duas mesas dispostas paralelas, super arrumadas e decoradas com castiçais de muitas velas. Todo o piso estava coberto por pinhos. O aroma era de uma floresta úmida, me lembrou os ciprestes que circundam o Hotel Llao Llao na primavera em Bariloche. Sobre uma mesa de apoio haviam águas aromatizadas: de canela, ervas, com pedras de quartzo, suco de frutas exóticas, espumantes, vinhos. Eu levara pra minha anfitriã uma lembrança. Neka disse: - deixe pra depois, existe o momento certo pra eu abrir o presente... Ok!

Ela parecia ansiosa, e eu já mal esperava para ver o que iria acontecer. Eis que em poucos segundos tudo é fogo. Os garçons com longos espetos, num ritual quase medieval, vão ateando fogo em cada um dos 50 e poucos pratos dispostos à mesa, um aroma leve de ervas é sentido no ambiente. O silêncio é absoluto, e então só se ouve o tilintar do elemento FOGO. A guisandera hipnotizada, assim como eu e os outros convidados, comenta baixinho: - Este és el sonido del fuego! Espatacular.

Em alguns minutos aquilo cessa, e vamos à mesa. O banquete começa. Neka agora tira sons de taças de cristal, em poucos minutos ouvimos uma sinfonia contínua e aguda, ajudada pelo som das taças de todos os comensais... Depois uma pausa e nos chega um canapé, todo embrulhadinho. Dentro, nos revela a anfitriã: - Escrevi uma palavra que vale ouro para cada um, além disso, aí dentro há um pedacinho de um fio do meu cabelo que cortei em 50 e poucas partes, para que a minha energia contagie a todos... Ao ver minha surpresa a guisandera comenta baixinho: - É as pessoas comem tantas coisas, as vezes nem se dão conta, e o que é um pedacinho de cabelo?! Que fantástico.

O banquete era vegetariano, mas para começar um gaspacho perficiente ladeado por uma tira de jamón recém trazido da Espanha, este ela não poderia deixar de nos regalar. Depois veio um tronco de palmito pupunha assado, de interior tenro, enrolado num papel grosso que conservava todo seu calor e suculência. Depois levantamos, e nos deleitamos com mesa farta de deliciosas iguarias. Tão bonita e colorida, carregava enigmas de um hotel de Philippe Starck, senti ali a estética obcecada de Lars Von Trier, a diversidade da Mata Atlântica. A intensidade das possibilidades, saturação máxima das cores nos sentidos... Depois veio a orgia de doces, chocolates, bolo de tapioca, sorvetes, o melhor cheesecake: feito com iogurte e chocolate AMMA. Orgânico, benéfico. Daí, surge uma cantora lírica entre nós. Deleitou-nos com sua melancólica e pungente música. Café, pé-de-moleque... No final uma chuva forte caia lá fora. Ganhamos um sachê com húmus que serviu de alimento para minhas pobres plantinhas em casa.

No caminho de volta me veio um desejo especial e ingênuo de replicar. O banquete da Neka foi uma sessão de reiki para meu estomago e olhar. Foi comida de alma com ingredientes de verdade. Coisa contemporânea, que volta e meia acompanhamos nos jornais os Chefs escandinavos fazendo: plantar... colher sua própria comida. Uma beleza de cores do Le Jardin des Sens dos irmãos Pourcel. Sim!

Movido ao espírito de alimentação nutritiva e saudável, neste final de semana, dias 15 e 16 de outubro, assino cardápio do restaurante do SESC Pompéia. Busquei conceitos da utilização integral dos alimentos. Criei receitas com cascas, talos, brotos, tudo em função do Dia Mundial da Alimentação, que comemora a criação da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

Neste Menu trago pratos da cozinha caseira, de ingredientes desprezados, preparos que amo e que valem a pena serem repetidos e degustados. Ganhei de presente uma receita de minha guisandera, receita da Dna. Vilma, mãe dela, uma das melhores tortas que já comi na vida.

Têm pratos com cereais, leguminosas, matos, brotos...

Enfim, que a energia plantada em mim, floresça em você. Alimente-se bem, basta querer!

Verão em Nova Iorque, cause I love NYC!

 


 

Hoje começo a falar da minha recente passagem, duas semanas intensas naquela que a cidade dos sonhos para muitos seres deste planeta, inclusive os brasileiros que estão por todos os lados dos Estados Unidos por estes dias de dólar baixo e ofertas parceladas das companhias aéreas: New York!

Existem mil e um sites e blogs com dicas de onde ir, onde comer o que ver na Big Apple, mas as minhas saem do caderninho de um viajante que almejou se divertir e ser levado pelo impulso de Manhatan e seus arredores. Escrevo especialmente para minhas amigas Cênia Sales e Samara Naban, que estão com viagem marcada. Um beijo a elas e boa viagem... 

Para comer: 

No primeiro dia comecei “enfiando o pé na trufa”. Almocei no B &B Winepub que fica no SoHo. Uma hamburgueria classe A, que serve desde os tradicionais até especiais e para minha sorte o restaurante estava homenageando a temporada de trufas negras da Itália. O burguer do dia vinha recheado desta iguaria, além de acompanhar fritas e onion rings generosas que eram guarnecidas de maionese trufada, um deleite pra boca!

B & B WINEPUB

25 West Houston Street

www.burgerandbarrel.com 

Para algo mais sofisticado mas que não agrida o bolso visite o “db Bistro Moderne”, o restaurante da linha bistronomique do Chef mais famoso da cidade: Daniel Boulud. Estive lá a convite da Cynthia Billeaud, diretora de recursos humanos do Dinex Group, que comanda todos os restaurantes e negócios que assina Boulud. São eles: Daniel (três estrelas Michelin), Café Boulud, BouludSud, DBGB Kitchen & Bar e o Feast & Fêtes Catering.  

db Bistro Moderne

55 West 44th Street

www.danielnyc.com 

Agora top mesmo, é aproveitar a diversidade! Nova York é feita de imigrantes, partindo desse pressuposto sugiro: o restaurante indiano Banjara, o restaurante francês Tocqueville e o top japonês 15 east. O indiano fica ao lado da loja de especiarias mais completa que já vi, a Dual Specially Store Inc. Já o restaurante francês e o japonês são do mesmo proprietário, o brasileiro Marco Antônio Moreira,  simpático e hospitaleiro anfitrião das duas casas, que contam com Chefs internacionais e um serviço de primeira!

BANJARA – Indian Restaurant

97 First Avenue

DUAL - Specially Store Inc.

91 First Avenue (bet. 5 & 6 st.)

www.dualspecialty.com

TOCQUEVILLE Restaurant

1 East 15 Street

www.tocquevillerestaurant.com

15 EAST

15 east 15th Street

www.15eastrestaurant.com 

Para comprar comida, ingredientes, temperos, andar por em busca de novidades, ou ficar de bobeira num mercado, vale a visita ao Chelsea Market, dentre casas de frutos do mar, onde você pode pegar uma salada fresquinha, e outros lugares com orgânicos e produtos de primeira, recomendo os sucos naturais e energéticos do One Lucky Duck. Passar num dos mercados Whole Foods também vale muito a visita. E para quem quer ótimos vinhos, a casa Chambers Street Wines vende produtos e participa do movimento Slow Food de Nova Iorque.  Se quiser encontrar as melhores facas para corte a Korin é especializada no assunto e se ainda tiver pique no final do dia passe pra um happy hour ao som de jazz no bar Silver Lining, afinal NYC é a cidade dos coquetéis!

ONE LUCKY DUCK – Chelsea Market

425 W. 15th Street – oneluckyduck.com

BOWERY Kitchen – Chelsea Market

75 Ninth Ave.

www.shopbowery.com

Whole Foods

Varios endereços – procure no site

o mais próximo: www.wholefoods.com

CHAMBERS St. Wines

148 Chambers St.

www.chambersstwines.com

KORIN – fine Japanese Chef Knives

57 Warren St.

www.korin.com

SILVER LINING – Music & Cocktails

75 Murray St. 

Para cursos rápidos de cozinha, muito frequentes no verão, você pode experimentar o EATaly, o French Cullinary e também o ICE. E duas dicas saideiras, o clássico Balthazar para comer table de fruit de mer & oysters (frutos do mar e ostras). O P. J. Clark pertinho do Lincon Center também vale para bar de ostras, bem limpinhas e tem as da costa leste e oeste.

BALTHAZAR Restaurant

80 Spring St.

www.balthazarny.com 

É isso, deliciem-se pelas ruas retangulares da ilha de Manhatan, se perca pelos caminhos do Central Park ou escolha um dos inúmeros musicais ou peças da Broadway ou Off-Broadway, comprados no TKTS na Times Square para o dia. E aproveitem para comer um pedaço dessa “Grande Maçã!”

Cozinha Brasileira representada na 1ª ExpoBrasil na África Oriental

 

EXPOBRASIL - Nairóbi - Quênia (de 22 a 27/03/11)

Embaixadora Ana Maria e Chef Paulo Machado durante ExpoBrasil - Kenya.

De 22 a 27 de Março de 2011, aconteceu no Centro Internacional de Conferências Kenyatta em Nairobi – Kenya, a 1ª ExpoBrasil na África Oriental, feira de negócios que apresentou ainda representantes da cultura e gastronomia do Brasil no continente africano. O tema da 1ª ExpoBrasil 2011 foi – “O Elo Perdido” – no intuito de estreitar ligação comercial e cultural entre empresas da África Oriental e do Brasil.

Sobre a ExpoBrasil em Nairóbi:

O Brasil é um dos países emergentes membro do “BRIC”, e apresenta grande desenvolvimento econômico, além de ser líder em produção de variados produtos: açúcar, etanol, carne, soja, milho, suco de laranja entre outros.

Recentemente acordos de cooperação entre Brasil, Kenya e Tanzânia foram assinados, em setores chave como bio-combustível, educação, comunicação, energia, esportes e aviação, promovendo troca comercial e oportunidades no processo de integração dos países da comunidade da África Oriental.

A ExpoBrasil também promoveu na mesma semana a “Brazilian Cultural Week”. Que abarcou jogos de futebol, apresentações de música e capoeira e semana gastronômica.

O torneio de futebol começou em janeiro deste ano e chamou-se “Brazil Kenya League 2011” e contou com a participação de mais de 80 times de futebol da região. Na final, no estádio Nacional de Nyayo, o time do Palmeiras sub 21 jogou contra o time Kenyano “Gor Mahia”. O placar foi de dois a um para o time brasileiro. Ao final a embaixadora Ana Maria Sampaio juntamente com a campeã olímpica brasileira, a jogadora de voley de praia Adriana Behar entregaram prêmios aos participantes.

Como fechamento da Brazilian Cultural Week o grupo de música e percussão de Brasília Patubatê fez apresentação na casa de showns The Carnivor em Nairóbi. Levou ao público os ritmos do samba e bateria que movem o carnaval brasileiro.

Cozinha Brasileira:

Os Chefs Paulo Machado e Thiago Bettin, a convite do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, tiveram participação durante a ExpoBrasil 2011, no quiosque cultural da feira, onde apresentaram workshops de cozinha, além de publicações, vídeos e ingredientes da cozinha nacional.

O Hotel 5 estrelas Sarova Stanley, aberto desde 1902, promoveu em seu restaurante a “Brazilian Gastronomic Week” para servir delícias da cozinha brasileira preparadas pelo Chef Paulo Machado e o Chef confeiteiro Thiago Bettin.

Para o menu os chefs desenvolveram cardápio de comida afro-brasileira, no intuito de apresentar sabores que tem estreita ligação com a África. Dentre as preparações, havia: lingüiça com quiabo, dadinhos de tapioca, moqueca baiana, bobó de camarão, xinxim de galinha, quindim de Iaiá, bolo de rolo, torta de castanha do Brasil, manjar de côco.

O chef Paulo Machado observa que para a gastronomia nacional eventos como a ExpoBrasil são de grande valia. “Ações como estas são a chance de divulgarmos a cultura gastronômica brasileira em outros países, sendo forte passo para consolidarmos o conhecimento de nossos maravilhosos ingredientes e preparos por povos estrangeiros. Ter a chance de divulgar o patrimônio imaterial que é nossa cozinha na África é algo que me mantém cada vez mais curioso e interessado em nossa cozinha”, diz o Machado.

“Foi curioso encontrar em Nairóbi uma diversidade de ingredientes que também fazemos uso no Brasil. Foram: castanhas, carnes, raízes... A mandioca por exemplo, é um alimento de base da população da África oriental e que curiosamente sofre preconceito por pessoas de classes sociais mais altas de lá. O ingrediente cassava (mandioca na língua swahili) é considerado comida para o pobre. Você raramente vai encontrar mandioca em restaurantes locais. No caso de nossa semana gastronômica no Hotel Sarova Stanley foi uma experiência bem interessante pois fiz questão de servir todos os dias do Menu a mandioca, seja em forma de farinha, seja como purê ou creme para o escondidinho e os clientes do restaurante provaram e gostaram” complementa o chef.

 “Outra passagem bacana desta viagem foi a receptividade dos kenyanos. Gravei dois programas para TVs nacionais, para a rádio local eu e Chef Thiago Bettin demos entrevista, além do contato com o público durante os workshops na ExpoBrasil, que teve a chance de assistir o vídeo-documentário da chef Mara Salles (restaurante Tordesilhas em São Paulo) sobre a cozinha afro-brasileira.

A feira de negócios ExpoBrasil e a Brazilian Cultural Week (Semana Cultural), juntas movimentaram entre 20.000 visitantes entre conferencistas, participantes e público em geral. Este evento foi sem dúvida forte agente de cooperação bilateral para os negócios, gastronomia, esportes e cultura do Kenya e Brasil.

 

MATÉRIAS E SITES RELACIONADOS:

 - Entrevista para a TV Nacional do Kenya

http://www.youtube.com/watch?v=wQXZrbb9-jk&feature=related

 - Capital Life Style – Cozinha Brasileira em Nairóbi

http://www.capitalfm.co.ke/lifestyle/6/5809-Brazilian-Cuisine-Nairobi.html

 - Chef Paulo Machado na África

http://bonitopantanal.wordpress.com/2011/03/16/chef-paulo-machado-participa-de-evento-sobre-culinaria-na-africa/

 - Expo Brasil na África Oriental, em março, terá participação de 80 empresas brasileiras

http://www.comexdobrasil.com.br/expo-brasil-na-africa-oriental-em-marco-tera-participacao-de-80-empresas-brasileiras/

 -  Culinary Art

http://www.brazileastafricaexpo.com/index.php?option=com_content&view=article&id=20&Itemid=23

 - Professor de Gastronomia participa de evento internacional na África Oriental

http://www.unisantos.br/web/guest/18?p_p_id=portlet_apresentar_lista_noticias_WAR_2webapresentarListaNoticias_INSTANCE_diu9&p_p_action=1&p_p_state=normal&p_p_mode=view&p_p_col_id=column-2&p_p_col_count=4&_portlet_apresentar_lista_noticias_WAR_2webapresentarListaNoticias_INSTANCE_diu9_struts_action=%2Fportlet_apresentar_lista_noticias%2Fmostrar_menu&_portlet_apresentar_lista_noticias_WAR_2webapresentarListaNoticias_INSTANCE_diu9_LIFERAY_SHARED_idNoticia=13474

 Hotel Sarova Stanley (http://www.sarovahotels.com/stanley),

 Centro de Conferências Internacional Keniatta (http://www.kicc.co.ke)

 

 

 

Primeiro Nome, 2010.

Cheiro úmido de verão, calor em Campo Grande, é o primeiro dia do ano de 2011. As energias estão carregadas para o ano que entra. De forma mágica, tudo aquilo que passou resolveu ficar guardado no ano passado.

Agradeço pelo ano que passou, trabalhos realizados, pessoas que conheci, sabores que degustei, brindes que celebrei, os guacamoles e cuitlacoches da Lourdes, viagens com Mara, Ivo, Maranhão, Marquinhos, Flavinha, Dith, meu pai... Ensinamentos da Inês, minha irmã, e do PremBaba, em Rishikeshi na Índia.

Gostei muito de conhecer melhor a cozinha capixaba e ser tão bem recebido por Pamela e sua família no Espírito Santo, onde acompanhei todo o feitio das panelas de barro de Goiabeiras.

Minha primeira participação no Congresso Mesa Tendências da Revista Prazeres da Mesa a convite do David foi algo emocionante, pude dividir com o público que me ouvia a alegria que é poder dar aulas para alunos tão dedicados quanto os meninos da Gastromotiva.

Os ensinamentos do Mestrado, tanta gente nova que conheci lá, a genial Geni é uma colega exemplo de Hospitalidade! Minha querida orientadora Marielys agüentar tanta correção dos meus trabalhos, mas o estímulo está lá, sempre presente... Profa. Sênia, queridos colegas da Anhembi.

Inesquecível os desafios do ReceitaPop e meus novos amigos Marcio, Natalie e Marcel, toda a equipe que me ensinou um monte de novidades... Pra tentar fazer um bom menu em 20 minutos tem que rebolar!

E cada vez que chegava no Sesc Araraquara me emocionava. Os sorrisos do público presente nas aulas, que só aumenta a cada encontro, as perguntas inteligentes, a divisão de saberes. A recepção da Jane que sempre serve um café maravilhoso. E por falar em Sesc, que equipe maravilhosa, pessoas bacanas que tive contato, dividi prosas e receitas. A minha querida professora, amiga, “mãe” e fiel escudeira Rosana sempre ao meu lado. Verinha, Chefinhas Lúcia e Sula nunca me deixaram na mão. A Inês e o Thiego fizeram bonito no evento de abertura da Mostra SescArtes, foi um grande presente aquele cardápio, onde o arroz era negro e a cartola era servida em formato de bombom... garçons "a caráter"... o público apreciou.

Meu belo website elaborado pelo Marcos. Talvez o melhor presente que recebi em 2010!

Minha querida Betina, que prazer inestimável conhecê-la, são pessoas como ela que enaltecem a gastronomia brasileira, e uma delas é também minha mais nova paixão: dna. Dêga, que teve total êxito em me ensinar a sopa preferida de seus netos no Sesc Santo André, com todo o carinho da Adriana, Gleizer e equipe.

Obrigado Mara, que presente foi conhecer o Uruguai, Punta as vinícolas, a carne, os novos amigos, e ainda poder presenciar a força da cozinha brasileira pelas mãos da Marina, Raul, Mara e Maurício, Chefs que carregam a estrela do Brasil pro exterior, e que me inspiram pelo mesmo desafio.

Meu novo amigo Rodrigo, super Chef, além de carregar no DNA os ensinamentos de sua avó Ofélia dividiu comigo tanta generosidade pra fazer bonito em Santos. Obrigado pelas dicas de restaurantes na baixada, além do melhor café do mundo na bolsa, degustei também muitas delicias, desde comida japonesa até o molho de cebola do Gonzaga.

Ficar mais perto das artes, com o Lu em Cunha, cerâmicas, a Pessoa na performance da Lu, minha mama, Ana Carla, Edmar. Bienal de SP e a mostra Manchúria, obras de Felipe, o neólogo que não canso em conhecer... anseios por fazer igual pela gastronomia, minha arte paixão.

Montei minha primeira empresa, Instituto de Pesquisas em Alimentação Paulo Machado, com meu nome. Sou eu! Sugestão de uma grande tutora. Algo que às vezes me confunde, mas me dá forças. Porque o IPA sou eu, e será também muitos daqueles que amam a boa comida. Um novo desafio, impostos, novas responsabilidades, anseios...

Meu contato com a Jussara do livro “Na Panela dos Peixoto” foi uma chance de recarregar meu amor pela cozinha de raiz, fizemos uma lingüiça tão típica e saborosa: o cudiguim, que me deu vontade de ir morar na roça e fazer tudo aquilo que lá dá. Uma coisa meio Slow Food, aquilo que meus convivas anseiam também... pelo menos não vamos perder este patrimônio, não é Cênia e Fabi?!

Franz, Inês, Oren, Jean, pessoas queridas, globetrotters por natureza. Minha querida tia Nereida, obrigado por tantas guloseimas, fazer comida boa não é fácil, não é mesmo Valtinho?!

Palhaçolândia no Dia Mundial da Alimentação me fizeram ter mais contato com o universo do clown, e que uma alimentação saudável pode ser um caminho palatável, né Jô e Gui?!

Território do Vinho, que casa linda Diogo! Teka me ajudou demais por lá. Tias Tuca, Vilma, Verinha, Xanxan, Karime, Sandra, Zilei, Ana, Simone, Cinthia... (a lista é grande e obrigado!) sempre me prestigiando nos eventos da cidade Morena.

Cé, Sáh, Gu e as “Monstras”, que delícia, mesmo que rapidinho.

Pan con Tomaquet no Sabor de Fazenda, sabor delicioso.

Visitar o país da Copa, um pouquinho antes de acontecer me mostrou que o Brasil tem toda a chance de fazer bonito, é focar nesses anos que está pertinho! A África do Sul é, com seus: aeroportos, estádios, estradas impecáveis, animais exóticos, produtos de qualidade e povo receptivo um país adorável.

Conheci melhor a cidade de Guarulhos por meio da Dani e o pessoal da Educatur. Amei também dar aula no Hebraica, valeu Breno! Os sabores da Índia só me fazem ter mais saudades daquela terra abençoada.

Agorinha em dezembro amei ver toda minha família, vô Totonho e vó Lacy, as reuniões, conversas, comilança, o bate-papo na Santa Graça.

O sorriso hospitaleiro da minha mãe todas as vezes que chego na minha cidade natal. Quero também agradecer a saúde, a vida que se estende a mim e a meus familiares, sei que nada é eterno mas o poder do agora é sempre duradouro, é aquilo que temos!

EU AMO VOCÊS...

Estou escrevendo na ordem das lembranças, sem qualquer cronologia. Aquilo que pipocou primeiro a mente, e que já faz parte desta caixinha de número 2010 está registrado agora neste post.

Espero que muitos e muitos registros também se façam presentes ao longo deste ano novo que entra. E que sejam de alegrias, ensinamentos e de objetivos positivos para mim e meus queridos leitores.

E de nome em nome vou temperando meu viver!

 Desejo tudo de melhor a vocês!!!

 Um grande beijo e FELIZ 2011!!!

Paulo.

 

 

 

Sabores do Norte!

Uma embaixadora da Amazônia:

Menu do Obá - anfitriãs do Brasil - Chef Maria do Céu, ont... on Twitpic

 A Chef e professora de gastronomia Maria do Céu é realmente uma cozinheira nata. Representa com maestria a cozinha do Norte do país e se exalta ao dizer que na maioria dos restaurantes de Manaus não é servida a cozinha típica e sim pratos com acento internacional, ou aqueles adeptos a modismos como os sushis em churrascarias.

Ainda bem que existe Maria do Céu, que traz pra seu público todas aquelas curiosidades da cozinha que pode ser considerada a mais genuína do Brasil, por sua característica pura na essência dos sabores dos primeiros habitantes deste nosso território.

Tambaqui no Tucupi com Jambu - prato da Chef Maria do Céu, n... on Twitpic 

A farinha de areni, peixes como o pirarucu, tambaqui e aruanã, o tucupi, o jambu, a castanha do Brasil e o cupuaçu, são alguns dos inúmeros ingredientes que ela trouxe na mala para figurarem como estrelas no festival: “Anfitriãs do Brasil”. Este saboroso projeto de Hugo Delgado e Carlos Tavares do Restaurante Obá que dura uma semana e vai até domingo, dia 30 de junho. 

Mas quem estrela mesmo é Maria do Céu, com sua presença cativante, muita estória interessante na ponta da língua, e mãos de fada que brincam com ingredientes encantados da terra de Mani!

Cupuaçu, chocolate e castanha do Brasil, combinação perfei... on Twitpic 

Obá - rua Dr. Melo Alves, 205, Jardins, São Paulo. Tel. 11 3086-4774.

 

Hot is Hot!

Sobre Comidas e Pimentas:

 


Pimenta. Não senti tanto ardor quanto no último dia em Delhi! Resolvemos conhecer um restaurante de comida Pan-Asiática (nunca tinha ouvido falar do termo que logo associei aos países panamericanos). É isso, comida da Panásia: é tudo aquilo que engloba: ingredientes, temperos, métodos de cocção e procedimentos de serviço, de países como: Índia, China, Tailândia, Vietnam, Nepal e até algum pé no Japão. Daí tinham pratos como: Pad Thai, ensopados e caldos como missôs ou galinha com coentro. Tinham os irresistíveis “ginsuns” à moda nepalesa (un poco mas grandotes, o que me lembravam os antigos guiozas da Liberdade). Ingredientes como: pato, crab, camarão de vários tamanhos, peixe, galanga (uma raiz prima do gengibre e da cúrcuma, mas mais perfumada), nam plá, óleo de mostarda, gergelim, shoyu, capim santo, arroz basmati, coentro...

Bem, isso é pouco, perto da variedade, do perfume, dos condimentos, das especiarias e claro do ingrediente que reinou, e que não se pode deixar de imaginar que exista quando o assunto é cozinha oriental: A PIMENTA (ou Chilli para mys amigos latinos)! Caracas, o capsicum, nas minhas pesquisas é um fruto que saiu das Américas, mais especificamente do bioma amazônico para se propagar por todo o mundo, e isso foi a pouco mais de 500 anos. O indiano tem o domínio do uso da pimenta, tal qual o mexicano,e isso não é novidade, quando comemos a comida desses países conseguimos sentir nuances de sabores: defumados, tostados, picantes, fortes, adocicados, advindos das pimentas. A verdade está, é provar a pimenta pra crer! Neste restaurante a experiência com pimenta foi incrível (para não dizer outra coisa), quase masoquista... Queimou a boca de todo mundo... não conseguimos provar o prato todo, mas nossa surpresa foi maior quando o garçon confessou que aquela comida estava pouco picante. Fiquei frustrado. - Peraí, eu to achando muito um prato que pra eles tem pouca pimenta. Isso não... Meu pai quase morreu. Num ataque de macho man ele não reclamou, mas depois contou que achou que ia ter um tréco!!

Minha irmã, coitadinha. A Inês tem a “língua geográfica” (nunca entendi direito, mas trata-se de uma língua mais sensível que o normal). Eu lembro que ela dizia-se alérgica a pimenta, e eu sempre tentava enganá-la, conduta de irmão mais velho e pimentinha que queria mesmo era “ver o oco” da irmã. fazê-la passar mal com chilli-pepper (hehe). Mas a Inês cresceu, se superou, veio morar na Índia sozinha, por um ano estava aqui, comeu muito prato picante. Sua língua, mais sensível que a dos demais mortais, já havia se controlado aos ataques violentos da capseisina... e Inês, que não é boba nem nada, foi a única da mesa que pediu o prato num alto e rápido golpe de inglês: - No Pepper! No Spicy! Sem Pimenta Sir!!! Pois bem, quando chegou o prato... Inês lacrimejava, abriu a boca, “sortô fogo, como o capeta!!!” Teve que comer arroz basmati branco, sem nada para deixar passar a picância. Ela, muito contrariada, chacoalhando as mãozinhas na frente da boca como um leque, recusou o prato de pad thai “sem pimenta” logo oferecido pela brigada. O garçon numa simpatia e paciência fora do normal, só encontrada na hospitalidade sistemática, embasada no antigo regime de castas indiana, trouxe, mesmo diante da recusa, outro prato para Inês. Este sim, um Pad Thai, sem nenhum traço, sequer, de pimenta (vale dizer que estava bom mas era quase um macarrão doce).

Eu... bem, minha cabeça suava (a careca na verdade), senti calafrios, minha boca parecia estar literalmente queimada. Lembrou-me uma situação quando era criança e na fazenda Santa Helena me “intoxiquei” num caso semi-fortuito de pimenta malagueta curtida em óleo, pelo capataz gourmet e carrasco, o Marcino, que me fez experimentar aquele fogo em formato vermelho (na ocasião tinha eu 11 anos, chorei e tive que tomar leite cru frio pelo resto do jantar e por um bom tempo da noite). Voltando ao Restaurant Emperor's: suei, comi, não passei mal, mas também não gostei... era um caranguejo com um molho espesso, o tal gravy ou curry, carregaaado de pimenta!

 Mas agora, no finalzinho da viagem, já voltando para o Brasil, sentado na poltrona da South African Airlines: comi um tal “frango ao curry” que deveria ser chamado de “frango ao nada”, cadê a pimenta, pô!!

 

 

 

 

 

 

Índia, um savoir-vivre:

O indiano em geral é magro, elegante, sorridente, simpático, ou não, com uma educação respeitosa e malandro, extremamente rápido, articulado, curioso e vidente.

A sujeira só incomoda a quem se incomoda. O modus vivendi não engloba uma vigilância sanitária a la ocidental. O povo aqui quando defeca se limpa com água. Raramente vejo papel higiênico no banheiro, a não ser nos hotéis 5, 6 ou 7 estrelas, verdadeiros oásis para ocidentais... O indiano usa as mãos, a esquerda para se limpar e a direita par se alimentar. Atenção a esta regra!

Os costumes são os mais diversos, sublimes e inimagináveis para o o mundo ocidental. As imagens pipocam na minha memória, a sensação do sentire a Índia é diferente se for feita a pé, de auto-riquixá ou de carro com ar condicionado. Sem contar o curioso Ambassador, que é um carro dos anos 60, lindo, que até hoje circula de milhares pelo país, sejam os táxis ou carros de governo e corpo diplomático. O ambassador é exclusivamente fabricado para o governo, e juntamente com o Peacock (Pavão); a Bandeira, o hino, a vaca (e otras cositas mas como: Gandhi, Bollywood, Chai, massalas e auto-riquixá), formam os símbolos nacionais.

Várias outras coisas são características da Índia, por exemplo o movimentar de cabeça, batizado por minha irmã de ”jigling”, só existe por aqui. O povo pra dizer que algo está bom dá uma chacoalhada na cabeça de lado a lado, de uma maneira nunca vista no ocidente. Quando minha irmã fez o ”jigling” pela primeira vez que vi, achei super esquisito, fiquei até com um pouco de raiva, achando aquilo uma modinha besta que a Inês estava tentando pregar (ano passado, estavamos em Londres na casa da minha prima Joana, e Inês estava super indiana, com roupas, pinturas de rena na mão e trejeitos típicos). Mas na realidade o ”jigling” também é uma característica do povo indiano. Um charme, uma belezinha... de Bollywood e comerciais de TV, ao povo nas ruas, maharajas... operários, mendigos, todos ”jiglinglam” - hahaah! E pega... é uma delícia “”jiglinglar”. Faz um charminho, uma virada meiga de cabeça. Se você estiver concordando com a pessoa que está conversando você balança a cabeça de um lado para o outro. Uma virada mais nervosa pode ressaltar uma sensação tensa, uma resposta positiva mas com uma leve sensação de contrariedade. Seja no trem, em Mumbai, Jodhipur ou Jaipur o balançar é o mesmo. Uma chacoalhada de cabeça pra lá e pra cá (que lembra aqueles cachorrinhos a venda em camelô, que tem a cabecinha solta chacoalhando, se não viu ainda, busque...) este chacoalhar de cuca é o antêntico “”jigling”! 

 

Prembaba e o Encontro!

Dia 18/03/10 – Rishikeshi


É manhã, um vento seco e agradável percorre o tortuoso relevo desta cidade sagrada que se encontra no pé dos Himalaias... Milhares de pessoas circulam pelas estreitas ruas a procura de um templo ou ashram para orar. Outras estão apenas observando, num voyerismo antagônico, pois a cada momento a troca de olhares se dá... todos cercados por muitas vaquinhas e touros anões, que zanzam pelas ruas como deuses que são, travestidos de uma carapaça de zumbi e de saúde debilitada pela má-alimentação que inclui restos de lixo e sacos plásticos.

 

O Rio Ganges ou a Ma ' Ganga:

 

Banhar-se no rio Ganges, esse era nosso dilema naquela manhã... chegamos numa parte dele, de aparência virgem, um pouco ao norte de Rishikeshi, no comecinho dos Himalaias. Sentíamos estar mais próximos da nascente daquele colossal rio. As primeiras montanhas crescem, grandes, imensas e imponentes. Rememoro imagens de filmes chineses onde o relevo era assim. A água é gelada, os três pulinhos são uma ordem, o desejo de voltar urge, e a esperança revigora... O banho na Ma´Ganga é benção inenarrável!

 

Visita a um Ashram:

 


Prembaba: dez e trinta da manhã.

O baba do amor, um guru brasileiro que vive alguns meses do ano na Índia. Sábio homem que largou a vida mundana para se dedicar aos ensinamentos sagrados, estava lá para nos receber... Descrevo abaixo alguns dos recados um tanto quanto óbvios porém indispensáveis e maravilhosos para levarmos a vida um pouco mais consciente:

“Devemos abrir canais para parar de alimentar o vício. É necessário encontrar a mudança verdadeira. Você está se movendo nesta direção? O auxílio faz você ter consciência daquilo que está te fazendo mal, pois uma parte está presa ao passado. O rompimento não pode ser de mentira. Não pode usar a máscara do indiferente. Eu estou livre... se estiver mesmo livre você não vai mais repetir o erro. A renúncia verdadeira é possível quando você sabe que está renunciando. Você deve identificar a origem do negativo e o que sustenta o condicionamento. Continue observando e verá que além existem sentimentos que estão sustentando o congelamento da imagem. Atravesse o medo, é ele o guardião desta esfera inicial!”

Abra mão dos pactos da vingança, trabalhe o yoga, cante, seja feliz! Que benção conhecer Prembaba, reverenciá-lo, compartilhar de seus belos ensinamentos com platéia tão positiva e bem-humorada e sentir a paz e o amor de seu ashram a beira do Rio Ganges, num belo dia de sol no Planeta Terra! Parecia um sonho, é um sonho real... maravilhoso, uma experiência cósmica que te faz sentir a alegria de estar vivo... Somos um só!!!

 

 

Viagem para a Índia

 

Viagem para a Índia

 

 

 

 Meu Tempo na Índia

Nos últimos dias o lugar de mais paz na minha vida tem sido a biblioteca da Universidade, aqui estou mais uma tarde, correndo atrás do... É que no meu tempo ocidental tenho tarefas mil do semestre letivo para cumprir. Estou cursando Mestrado em Hospitalidade e falta muito pouco tempo pra minha qualificação, apenas uma gestação. A pressão, a correria, os prazos, tomam proporções gigantescas quando dou de cara com minhas obrigações reais nesta aba oeste do planeta. Em outros lugares do mundo a sensação de tempo é tão diferente, coisas vividas em um só dia, tomam a proporção de um ano, o valor que se dá para a sexta-feira é diferente ou o mesmo que para uma “segundona braba”...

A pouco mais de uma semana minha realidade era outra. Estava em viagem pela Índia, com minha irmã e meu pai. No dia 17 de maio de 2010, mais precisamente uma segunda-feira cheguei em New Delhi. Relendo meu diário aqui em São Paulo fiquei chocado com algumas palavras, mas a Índia é isso, senão um choque para o primeiro visitante. Não censurei nada que escrevi. Destarte passo abaixo a relatar minhas impressões da terra de Gandhi, da Vaca Nelore e do Namastê:

Índia – My 1st impressions:

TERRA DOS CHEIROS

Aterriso em Nova Delhi, chegamos no aeroporto, parece tudo tão normal, tão ocidental, lugar grande, moderno, bonito... tem aí uma musiquinha indiana, que não para. É até interessante pegar as malas na esteira de desembarque ouvindo mantras indianos, fiquei me sentindo um Beattle contemporâneo chegando na Índia. Saímos do aeroporto, nada de aglomeração, algumas pessoas com turbantes esquisitos na cabeça que depois fiquei sabendo tratar-se dos povos siques. Minha irmã nos aguardava. Feliz. Ao procurar o carro aromas nunca sentidos, presentes, permanentes. E logo substituídos pelo cheiro forte de urina, merda ou de coisa morta, podre, putrefada... não sei identificar muitos desses aromas virgens, que pela primeira vez passam pela minha boca e narina. Sempre o cheiro, estamos seguindo para Rishikeshi, uma viagem de 200 e poucos quilômetros que durou mais de seis horas, o cheiro sempre com um misto de poeira.

Meu pai diz:

                 -  Não estou entendo nada... Se o mundo não acabou aqui na Índia, ele não vai acabar!

 

New Delhi

Delhi é a cidade mais fedorenta, desagradável e curiosa que já conheci. Nada é constante. O caos é a ordem. Pegue todas as regras de trânsito, conduta humana e de ordenamento cultural que você conhece e jogue tudo no lixo: Você está em Delhi. Não é que exista a malandragem em relação as leis, presente na conduta brasileira (“o tal jeitinho”). É que aqui a regra é a não regra. É muito difícil para um ocidental recém chegado a Índia entender, compreender e aceitar o ordenamento do caos que se vê aqui, e o que se cheira também. Um verdadeiro inferno.

A Índia não é para qualquer um. Ou melhor, nem qualquer um pode visitar a Índia. O primeiro sentido é o de que nunca alguém do ocidente vai estar preparado para enfrentar o conhecimento da cultura indiana. Tapetes, pós, rios, saris, demora, troca de tempo, religião, homens santos (naga babas), cerimônias, homens cinzas (sadhus), fedores e aromas fortes de incenso, ervas, especiarias, massalas, curries... Tudo abala, desconcerta e desconecta... A música importuna, depois vira mantra.

É tudo lotado. As ruas são cheias de gente, carros e buzinas por todos os lados. O sinal...

   “Please Horn! Louder at Night!!!” (Por favor buzine, mais forte à noite!!!)

… está presente atrás dos caminhões e dos mini taxis para duas pessoas (auto-riquixa), tratores, motos, vacas, búfalos, carroças, macacos, cachorros nada amistosos, e gente, milhões e milhões de pessoas...

Por aqui já estávamos próximos da cidade onde ocorria a maior festa religiosa do mundo (em termos de aglomeração) a Kumbh Mela, em Haridwar no Norte do país. Além dos homens santos com roupas cor açafrão zanzando em filas quilométricas pra lá e pra cá, víamos mulheres com suas roupas coloridas (saris) e homens magros de cabelos negros, bem aparados e geralmente bem apessoados com uma elegância do dia-a-dia.

 

 

 

 

Cozinha Regional Pantaneira

COZINHA REGIONAL PANTANEIRA - Uma Comitiva de Sabores pelo Pantanal

Neste Mês de Dezembro, realizei juntamente com um grupo de pesquisas uma expedição científica pelo Pantanal. O trabalho de pesquisa recebe em 2009 o investimento do Governo de Mato Grosso do Sul por meio da Fundação de Cultura de MS e o Fundo de Investimentos Culturais de MS. 

Pres. da Fundação de Cultura de MS Américo Calheiros durante

coletiva de imprensa -Restaurante Fogo Caipira Campo Grande - MS

 

Foram 8 dias de muita pesquisa, aventura, sabores e conhecimento da rica culinária do meu estado. O roteiro completo da expedição está no blog: www.cozinhapantaneira.blogspot.com

A TV Morena cobriu parte da viagem que você pode acompanhar nesses dois vídeos abaixo:

http://wm.globo.com/webmedia/windows.asx?usuario=rmtonlinewm&tipo=ondemand&path=/ms/atualidades/expedicaoculinaria05-12.wmv&ext.asx=

http://wm.globo.com/webmedia/windows.asx?usuario=rmtonlinewm&tipo=ondemand&path=/ms/atualidades/expedicaogastronomicacrba12-12.wmv&ext.asx=

E ficam aí algumas fotos dos pratos e das belezas do Pantanal:

arroz boliviano - Faz. San Francisco - Miranda - MS

Caldo de Piranha - Rest. Fogo Caipira - Campo Grande - MS

Suã de Porco Assado - Faz. Barra Mansa

Pintado a Urucum - Rest. Casarão - Aquidauana

 

Arroz Carreteiro - Restaurante Fogo Caipira - Campo Grande - MS

Macarrão Frito - Restaurante Fogo Caipira - Campo Grande - MS

 

 Carneada - Faz. Baia das Pedras - Rio Negro - MS

Carneada II

 

Carneada III - técnica, precisão e sabedoria do homem pantaneiro

Aventura pelas águas do Pantanal da Nhecolândia

Jacaré do Pantanal - este quase entrou na Land Rover

Presente todo entardecer e amanhecer no Pantanal

 

 

Melhor de 3 - Programa da Eliana - Nov. 2009

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